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Atlantis: The Lost Empire

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Atlantis: The Lost Empire
Atlantis pôster.png
Ano 2001
Duração 96 minutos
Direção Gary Trousdale
Kirk Wise
País Estados Unidos
Roteiro Tab Murphy
Elenco Michael J. Fox
James Garner
Cree Summer
Don Novello
Phil Morris
Claudia Christian
Jacqueline Obradors
Florence Stanley
Jim Varney
Corey Burton
Gênero Ação-aventura
Idioma inglês
Cronologia
Anterior
"Nenhum"
Próximo
"Atlantis: Milo's Return"

Atlantis: The Lost Empire (Atlantis: O Reino Perdido (título no Brasil) ou Atlântida: O Continente Perdido (título em Portugal)) é um filme norte-americano de ação-aventura lançado em 2001 dirigido por Gary Trousdale e Kirk Wise, escrito por Tab Murphy e produzido por Don Hahn. É o 41º longa-metragem de animação da Walt Disney Pictures e é estrelado por Michael J. Fox, James Garner, Cree Summer, Don Novello, Phil Morris, Claudia Christian, Jacqueline Obradors, Florence Stanley, Jim Varney e Corey Burton. Na história, o linguista Milo Thatch adquire um antigo livro sagrado que acredita conter um guia até Atlântida, com ele e um grupo de mercenários formando uma expedição para poderem encontrar a cidade perdida.

O desenvolvimento do filme começou pouco depois da finalização de O Corcunda de Notre Dame. A equipe decidiu produzir um filme de ação-aventura inspirado pela obra de Júlio Verne em vez de outro musical que a Walt Disney Feature Animation estava acostumada a fazer. Atlantis adotou o estilo visual bem distinto pertencente ao artista Mike Mignola. A história mostrou-se um novo desafio para a equipe, já que com a ausência de canções apenas as sequências de ação teriam que carregar o filme. Ele foi o longa de animação da Disney que mais utilizou imagens geradas por computador até então, com os animadores precisando se adaptar a um formato de tela maior do que estavam acostumados a trabalhar. O linguista Marc Okrand criou um idioma ficcional para uso específico em Atlantis, enquanto o compositor James Newton Howard ficou encarregado da trilha sonora.

Atlantis teve sua estreia no El Capitan Theatre em Los Angeles, estreando comercialmente nos Estados Unidos em 15 de junho de 2001. Ele teve um desempenho bem modesto na bilheteria, arrecadando 84 milhões de dólares na América do Norte e 102 milhões internacionalmente para um total mundial de 186 milhões de dólares. A Disney cancelou uma série de televisão spin-off e uma atração aquática na Disneyland por causa dos resultados financeiros decepcionantes. Alguns críticos elogiaram o longa por sua diferença em relação a outras produções do estúdio, enquanto outros desgostaram pela falta de clareza em seu público alvo e ausência de canções. Ele foi indicado a vários prêmios, incluindo seis Prêmios Annie. Atlantis acabou se tornando um filme cult, em parte por causa do estilo artístico de Mignola. Uma sequência diretamente em vídeo estreou em 2003.

Enredo Editar

Séculos atrás, uma onda gigante gerada por uma explosão segue em direção da cidade de Atlântida. A rainha é pega por uma estranha luz hipnótica em meio da evacuação e erguida até o "Coração de Atlantis", um poderoso cristal que protege a cidade. O cristal a consome e cria uma barreira que protege o distrito central da cidade. A rainha deixa para trás seu marido o rei Kashekim e sua filha a princesa Kida enquanto a ilha afunda no oceano.[1]

Em 1914, o cartógrafo e linguista Milo Thatch do Instituto Smithsoniano, marginalizado por seus colegas devido suas pesquisas sobre Atlântida, acredita ter encontrado a localização do Diário do Pastor, um antigo manuscrito que contém guias para encontrar a cidade perdida. A diretoria do museu recusa sua proposta para financiar uma procura pelo diário, porém uma misteriosa mulher chamada Helga Sinclair o apresenta para o excêntrico milionário Preston B. Whitmore. Este já financiou uma expedição bem-sucedida que encontrou o diário como uma forma de pagamento ao avô de Milo, recrutando o neto a fim de liderar uma expedição para Atlântida.[1]

A expedição parte liderada pelo comandante Lyle Rourke, que também liderou o grupo que recuperou o diário. A tripulação inclui Vinny Santorini, um especialista em demolição; Joshua Sweet, um oficial médico; Audrey Ramirez, uma mecânica; Wilhelmina Packard, uma operadora de rádio; e Cookie Farnsworth, um cozinheiro. Eles partem a bordo do Ulysses, um enorme submarino. A expedição é atacada durante a jornada pelo Leviatã, um mostro robótico semelhante a uma lagosta que guarda a entrada de Atlântida. O submarino é destruído, porém Milo, Rourke e parte da equipe conseguem escapar por uma caverna submarina, descrita pelo diário como a entrada para a cidade.[1]

Eles viajam por uma rede de túneis e um vulcão adormecido, finalmente encontrando Atlântida. A expedição é recebida por Kida, que pede a ajuda de Milo para decifrar a língua escrita atlante, há muito esquecida pelos nativos. Os dois nadam pelas profundezas das ruínas submersas da cidade e decifram enorme murais, com Kida e Milo sendo capazes de descobrir a verdadeira natureza do Coração de Atlantis: ele fornece aos habitantes poder e longevidade através dos pequenos cristais que usam como colares. Milo se surpreende que o diário não menciona nada a respeito, porém se lembra que há uma página faltando.[1]

Rourke revela que está com a página faltando quando os dois retornaram para a superfície, traindo-os com a intenção de roubar o cristal para vendê-lo. Ele fere o rei Kashekim mortalmente enquanto tenta adquirir informações sobre a localização do cristal, encontrando-o sob a sala do trono. O cristal detecta uma ameaça e se funde com Kida. Rouke e os mercenários a prendem em uma caixa e preparam para levá-la até a superfície. Milo sabe que os atlantes morreram se o cristal for levado embora, brigando com seus companheiros por terem traído suas consciências, conseguindo convencê-los a deserdar Rourke. O rei explica que o cristal desenvolveu consciência própria, florescendo por meio das emoções dos nativos e encontrando um hospedeiro real sempre que Atlântida corre perigo. Kashekim também revela que a onda gigante do passado foi causada quando ele tentou usar o cristal para guerra. Ele morre e entrega seu colar de cristal a Milo.[1]

Milo é encorajando por Sweet e reúne a tripulação e os atlantes a fim de enfrentarem Rourke. Helga, Rourke e os mercenários são mortos na batalha dentro do vulcão. Milo e os outros são capazes de retornarem o cristal para a cidade enquanto o vulcão entra em erupção. A lava flui para Atlântida, com Kida (em sua forma de cristal) erguendo-se no ar e criando uma barreira que protege a cidade. A lava se solidifica rapidamente e se quebra, mostrando Atlântida restaurada, enquanto o cristal devolve Kida ilesa para Milo. A tripulação sobrevivente volta para a superfície e prometem manter o segredo. Milo fica para trás e a ajuda a reconstruir o império.[1]

20px Aviso: Terminam aqui as revelações sobre o enredo.

Elenco Editar

Milo e Kida - Atlantis.jpg

Esboço de Milo e Kida. O desenho de Milo foi parcialmente baseado em esboços de Marc Okrand, o linguista do filme.

  • Michael J. Fox como Milo James Thatch, um linguista e cartógrafo do Instituto Smithsoniano que é recrutado para decifrar O Diário do Pastor em uma expedição para Atlântida. O diretor Kirk Wise afirmou que Fox foi escolhido para o papel porque a equipe achou que o ator dava uma personalidade própria para o personagem e o deixava mais crível. Fox disse que dublagem era muito mais fácil que atuar normalmente em frente das câmeras pois ele não precisava se preocupar com sua aparência enquanto dizia suas falas.[2] Os cineastas comentaram que o ator também recebeu a oferta de um papel em Titan A.E.; Fox permitiu que seu filho escolhesse qual filme deveria trabalhar, com ele escolhendo Atlantis.[3] Os fãs perceberam similaridades entre Milo e Marc Okrand, o linguista que desenvolveu o idioma atlante. Okrand disse que foi desenhado por John Pomeroy, o supervisor de animação do personagem, pois este afirmou que não tinha ideia como um linguista se parecia ou agia.[4]
  • James Garner como comandante Lyle Tiberius Rourke, o líder de um grupo de mercenários que forma a tripulação para a expedição até Atlântida. Wise escolheu Garner por causa de seus papéis anteriores em filmes de ação, especialmente longas de guerra e faroeste, dizendo que o papel lhe "serve como uma luva". O ator respondeu que "Eu faria sem pensar" ao ser perguntado se estava interessado em interpretar o personagem.[2]
  • Cree Summer como Kidagakash "Kida" Nedakh, a Princesa de Atlântida. Randy Haycock, o supervisor de animação de Kida, disse que Summer foi muito "intimidadora" quando a equipe se encontrou com ela pela primeira vez; isto influenciou como ele queria que Kida parecesse a agisse durante seu primeiro encontro com Milo.[2]
  • Don Novello como Vincenzo "Vinny" Santorini, um especialista em demolição italiano. Wise e Russ Edmonds, o supervisor de animação de Vinny, salientaram a habilidade de Novello na improvisação de diálogos. Edmonds comentou que o ator "olharia para o roteiro e leria uma vez as falas como estavam escritas, e nunca mais as leria de novo! E nós nunca usamos uma fala escrita, foram improvisações, o filme todo".[2]
  • Phil Morris como doutor Joshua Sweet, um médico de ascendência afro-americana e nativa-americana. Ron Husband, o supervisor de animação de Sweet, indicou que um dos desafios foi sincronizar as falas ditas rapidamente por Morris com a animação do personagem, sem que ao mesmo tempo ele parecesse falso. O ator comentou que Sweet era extremo, "sem meio termo", complementando com, "Quando ele está feliz, ele está realmente feliz, e quanto ele está sério, ele está realmente sério".[2]
  • Claudia Christian como tenente Helga Sinclair, a braço-direito alemã de Rourke. Christian descreveu Helga como "sensual" e "marcante". A atriz ficou aliviada quando finalmente viu a aparência da personagem, brincando que "Eu odiaria, você sabe, passar por tudo isso e descobrir que minha personagem é horrenda".[2]
  • Jacqueline Obradors como Audrey Rocio Ramirez, uma mecânica porto-riquenha adolescente e o membro mais jovem da expedição. Obradors comentou que Audrey lhe fez "sentir como uma criança novamente" e que ela sempre desejou que suas sessões de gravação durassem mais.[2]
  • Florence Stanley como Wilhelmina Bertha Packard, uma operadora de rádio idosa, sarcástica e fumante. Stanley achou que Packard era muito "cínica" e "segura": "Ela faz seu trabalho e faz qualquer coisa que quer quando não está ocupada".[2]
  • Jim Varney como Jebidiah Allardyce "Cookie" Farnsworth, um cozinheiro caipira. Varney morreu de câncer em fevereiro de 2000, antes do fim da produção, com o filme sendo dedicado à sua memória. O produtor Don Hahn ficou triste que Varney nunca pode ver o longa finalizado, porém comentou que o ator viu clipes de seu personagem durante algumas sessões e afirmou que "Ele amou". Shawn Keller, o supervisor de animação de Cookie, disse que "Foi meio que um fato triste que [Varney] sabia que nunca seria capaz de ver este filme antes de falecer. Ele fez um trabalho de dublagem fenomenal, sabendo do fato que nunca veria sua última performance".[2]
  • Corey Burton como Gaëtan "Mole" Molière, um geólogo francês que age como uma toupeira. Burton mencionou que encontrou sua interpretação de Mole ao permitir que o personagem "pulasse fora" dele enquanto fazia vozes engraçadas. O ator disse que, afim de conseguir entrar no personagem durante as sessões de gravação, costumava "se jogar para dentro da cena e sentir como se eu estivesse dentro deste mundo de fantasia".[2]
  • John Mahoney como Preston B. Whitmore, um milionário excêntrico que financia a expedição para Atlântida. Lloyd Bridges foi originalmente escalado para o papel, porém ele morreu antes da produção acabar. O entusiasmo e vigor de Mahoney fez com que a personalidade de Whitmore fosse retrabalhada.[5] O ator afirmou que fazer a dublagem foi "libertador" e lhe permitiu ser "grande" e "escandaloso" com seu personagem.[2]
  • Leonard Nimoy como Kashekim Nedakh, o Rei de Atlântida e pai de Kida. Michael Cedeno, o supervisor de animação de Kashekim, ficou espantado pelo talento de Nimoy para dublagem, dizendo que o ator deu grande riqueza ao personagem apenas por meio da sua interpretação vocal. Cedeno também comentou que a equipe costumava sentar e assistir em espanto Nimoy dizer suas falas.[2]

Dublagem Editar

Dublagem
Personagem Dublagem EUA Dublagem BRA Dublagem POR
Milo James Thatch Michael J. Fox Manolo Rey Renato Godinho
Princesa Kida Cree Summer Camila Pitanga Carla Salgueiro
Cookie Jim Varney Francisco José Pedro Pinheiro
Capitão Lyle Tiberius Rourke James Garner José Santa Cruz Alfredo Brito
Gaetan Molière Corey Burton Mauro Ramos Carlos Freixo
Helga Sinclair Claudia Christian Maitê Proença Carla de Sá
Preston Whitmore John Mahoney Ednaldo Lucena Carlos Vieira d'Almeida
Dr. Joshua Strongbear Sweet Phil Morris Maurício Berger Daniel Martinho
Rei Leonardo Nimony Ênio Santos Júlio Cardoso
Vinnie Santorini Don Novello Márcio Simões Rui Paulo
Audrey Rocio Ramirez Jacqueline Obradors Fernanda Crispim Leonor Alcácer
Willhelmina Packard Florence Stanley Ruth Gonçalves Lurdes Noberto
Fenton Harcourt David Ogden Stiers Orlando Drummond Jorge Vasques
Dr. Katelse
Mãe de Kida
Jennifer Seguin Vanessa Alves e Tânia Gaidarji/Márcia Morelli Angela Lansbury

Créditos da dublagem brasileira:[6]
Estúdio de diálogos: Double Sound, RJ
Direção e tradução:
Direção musical:
Mídia: Cinema/VHS/DVD/Televisão (Globo)/TV Paga

ProduçãoEditar

Desenvolvimento Editar

Carlsbad Caverns rail pic.JPG

Membros da equipe de produção visitaram as Cavernas de Carlsbad para entenderem sobre espaços subterrâneos que seria representados no filme.

A ideia de Atlantis: The Lost Empire foi concebida em outubro de 1996 por Don Hahn, Gary Trousdale, Kirk Wise e Tab Murphy enquanto almoçavam em um restaurante mexicano de Burbank, Califórnia. Eles tinham recentemente finalizado O Corcunda de Notre Dame[7] e desejavam manter a equipe junta para outro filme com uma temática aventureira.[8] Os cineastas inspiraram-se em Viagem ao Centro da Terra de Júlio Verne e partiram para produzir um longa que exploraria por completo Atlântida, diferentemente da breve passagem descrita no romance de Verne.[9] A equipe utilizou principalmente a internet para pesquisarem a mitologia acerca de Atlântida, com eles ficando interessados nas leituras clarividentes de Edgar Cayce e decidindo incorporar algumas de suas ideias na história – principalmente a ideia de um cristal que fornece poder, cura e longevidade para os atlantes.[10] Os cineastas também visitaram museus e antigas instalações militares a fim de estudar a tecnologia do início do século XX, período histórico em que o filme se passa, também viajando mais de 240 metros para baixo da terra dentro das Cavernas de Carlsbad no Novo México com o objetivo de verem trilhas subterrâneas que acabaram tornando-se modelos para sua abordagem de Atlântida no filme.[11]

De acordo com Wise, os cineastas queriam evitar a representação comum de Atlântida como "colunas gregas caídas submersas":[11] "Estávamos comprometidos desde o início em projetá-la do começo ao fim. Vamos ver o estilo arquitetônico, roupas, patrimônio, costumes, como eles dormiriam e como eles falariam. Então trouxemos pessoas a bordo que poderiam nos ajudar a desenvolver essas ideias".[12] O diretor de arte David Goetz disse que "Olhamos para a arquitetura maia, estilos de arquitetura antigos e incomuns ao redor do mundo, e os diretores gostaram muito do visual da arquitetura do Sudeste Asiático".[11] A equipe posteriormente pegou ideias de outras formas arquitetônicas, incluindo construções cambojanas, indianas e tibetanas.[13] Hahn comentou: "Se você pegar e desconstruir arquiteturas ao redor do mundo em um único vocabulário arquitetônico, é assim que nossa Atlântida se parece".[11] O desenho geral e a disposição circular da cidade foi baseada nos escritos de Platão,[13] com sua citação "em um único dia e noite de infortúnio, a ilha de Atlântida desapareceu nas profundezas do mar" tendo sido importantíssima desde o início da produção.[7] A equipe usou camisetas com a inscrição "ATLANTIS – Menos canções, mais explosões" por causa de sua intenção em criar um filme de ação-aventura, diferente de outros longas de animação da Walt Disney Feature Animation que eram musicais.[8]

IdiomaEditar

AtlanteanA.png

A letra "A" atlante, criada por John Emerson. Wise comentou que seu desenho era um mapa do tesouro para o cristal, o Coração de Atlântida.

Marc Okrand, linguista que tinha desenvolvido a língua klingon para a franquia Star Trek, foi contratado para elaborar o idioma atlante para Atlantis. Ele foi instruído pelos diretores a seguir pelo conceito de uma "língua mãe", dessa forma empregando um estoque de palavras indo-europeu com sua própria estrutura gramática. Orkand alterou palavras que estavam começando a soar muito parecidas com uma linguagem falada atual.[12] O artista John Emerson criou o alfabeto escrito, realizando centenas de esboços aleatórios de letras individuais dos quais os diretores escolheram aqueles que melhor representavam o alfabeto atlante.[10][14] A língua escrita era um bustrofédon: projetada para ser lida da esquerda para a direita na primeira linha, então direita para a esquerda na segunda, continuando em um padrão ziguezague a fim de emular o fluxo da água.[4]

Predefinição:Cquote

Roteiro Editar

Joss Whedon foi o primeiro roteirista envolvido no filme, porém saiu logo para trabalhar em outros projetos da Walt Disney Pictures. Segundo o próprio, ele "não tinha um pingo" dentro do filme.[15] Tab Murphy completou o roteiro, dizendo que demorou "por volta de três a quatro meses" entre as discussões iniciais sobre a história até a produção de um roteiro que satisfez a equipe.[16] O rascunho inicial tinha 155 páginas, muito mais longo que o típico roteiro Disney de aproximadamente noventa páginas. Os diretores calcularam que os dois primeiros atos juntos davam 120 minutos, assim cortaram personagens e sequências, focando-se mais em Milo. Murphy afirmou que criou O Diário do Pastor porque necessitava de um mapa para os personagens seguirem no decorrer de sua jornada.[10] Uma versão revisada do roteiro eliminou as provas encontradas pela expedição enquanto navegavam pelas cavernas até Atlântida. Isto deu ao filme um ritmo mais rápido, já que a cidade é descoberta mais cedo na história.[9]

Predefinição:Quote box O personagem de Milo Thatch originalmente seria um descendente de Edward Teach ou Thatch, mais conhecido como o pirata Barba Negra. Os diretores posteriormente o colocaram como descendente de um explorador para que assim ele descobrisse seu talento interior para exploração.[9] O personagem de Molière inicialmente tinha a intenção de ser "professoral", porém o artista Chris Ure alterou o conceito para uma "pequenina criatura horrível com um casaco maluco e um capacete estranho com olhos estendidos", de acordo com Wise.[17][18] Hahn salientou que a ausência de canções apresentou um desafio para uma equipe acostumada a animar musicais, já que apenas as sequências de ação precisariam carregar o filme. Wise comentou que isso deu aos cineastas oportunidades de criar maior desenvolvimento de personagens: "Tivemos mais tempo de cena disponível para fazer uma cena como quando Milo e os exploradores estão acampando e aprendendo sobre as histórias uns dos outros. Uma sequência inteira é dedicada a jantar e ir para cama. Isso não é algo que tipicamente você teria o luxo de fazer".[12]

Hahn disse que a primeira sequência a ser finalizada durante a produção foi o prólogo. A versão original tinha um grupo de ataque viking usando O Diário do Pastor para encontrar Atlântida e sendo rapidamente repelidos pelo Leviatã. O supervisor de história Jon Sanford disse aos diretores perto do final do processo de produção e animação que achava que o prólogo não dava aos espectadores um grande envolvimento emocional com os atlantes. Os diretores concordaram com Sanford, mesmo sabendo que o prólogo viking estava completado e que custaria mais tempo e dinheiro alterar a cena. Trousdale foi para casa no mesmo dia e fez os storyboards durante a tarde. O abertura foi substituída por uma sequência mostrando a destruição de Atlântida, que apresentou o filme a partir da perspectiva dos atlantes e Kida.[9] O prólogo viking foi depois incluído como um extra do DVD.[19]

AnimaçãoEditar

Atlantiswidescreencap.gif

Imagem comparativa do panorama de Atlântida, em cima cortado no formato de tela padrão da Disney (1.66:1) e em baixo no formato original do filme (2.35:1).

Por volta de 350 animadores, artistas e técnicos trabalharam em Atlantis durante o auge de sua produção[20] em todos os três estúdios de animação da Disney: Walt Disney Feature Animation em Burbank, Walt Disney Feature Animation Florida em Orlando e Disney Animation France em Paris.[21] O longa foi um dos poucos filmes de animação da Disney a ser produzido no formato anamórfico 70 mm. Os diretores acharam que a imagem panorâmica era crucial por ser uma referência nostálgica a antigos filmes de ação-aventura apresentados em CinemaScope 2.35:1, salientando Raiders of the Lost Ark como inspiração.[22] Os executivos da Disney estavam relutantes sobre a ideia, já que a troca de formato necessitaria da compra de mesas de animação e equipamentos projetados para o formato panorâmico.[12] A produção acabou encontrado a solução mais simples de desenhar dentro de um quadro menor nos mesmos papéis e equipamentos usados no formato padrão Disney 1.66:1. O supervisor Ed Ghertner escreveu um guia sobre o formato panorâmico para que os artistas utilizassem e mencionou que uma das vantagens da tela maior era que eles poderiam manter os personagens mais tempo em cena devido o espaço adicional.[22] Wise inspirou-se ainda mais no formato ao assistir filmes dos diretores David Lean e Akira Kurosawa.[12]

O estilo visual de Atlantis foi muito baseado na arte de Mike Mignola, ilustrador do quadrinho Hellboy. Mignola foi um de quatro desenhistas de produção contratados pela Disney para o filme, com os outros sendo Matt Codd, Jim Martin e Ricardo Delgado. Ele forneceu guias de estilo, desenhos preliminares de personagens e ambientes e ideias para a história.[11] Wise comentou que "O estilo gráfico e angular de Mignola foi uma influência chave no 'visual' dos personagens".[23] O artista ficou surpreso quando foi contatado a primeira vez pelo estúdio para trabalhar em Atlantis.[24] Sua influência artística na produção seriam um dos fatores que posteriormente contribuiriam para o status cult do longa.[25]

Predefinição:Cquote

A cena final da câmera se afastando de Atlântida foi descrita pelos diretores como a mais difícil na história da animação da Disney. Eles afirmaram que um afastamento similar em The Hunchback of Notre Dame "debatia-se" e "faltava profundidade"; entretanto, Trousdale e Wise tentaram a técnica novamente em Atlantis devido a avanços no processo de multiplanos. A cena começa em uma folha de papel de quarenta centímetros mostrando um plano fechado de Milo e Kida, afastando-se para revelar a totalidade da Atlântida restaurada, alcançando o equivalente a uma folha de 457 metros composta de várias folhas individuais de sessenta centímetros ou menos. Cada peça foi desenhada com cuidado e combinada com veículos animados voando simultaneamente pela cena a fim de fazer o espectador ver uma imagem completa e integrada.[22]

Atlantispropsubmarine.jpg

Modelo do submarino Ulysses criado por Greg Aronowitz, usado como referência pelos animadores 3D.

Atlantis foi filme de animação da Disney que mais fez uso de imagens geradas por computador até então. Os diretores colocaram os artistas digitais para trabalharem junto com animadores tradicionais com o objetivo de aumentarem a produtividade. Várias cenas importantes necessitavam de grande uso de animações digitais: o submarino Ulysses e seus minisubs, o Leviatã, o Coração de Atlântida e os Gigantes de Pedra.[26] Codd e Martin projetaram o Ulysses, com Greg Aronowitz sendo contratado para construir uma miniatura do submarino para poder ser usada como uma referência para o desenho tridimensional a ser usado no filme.[27] Atlantis contém 362 planos com efeitos digitais, com programas de computador sendo usados para integrar as artes bidimensionais e tridimensionais homogeneamente.[28] Uma das cenas que tirou grande vantagem disso foi o mergulho do submarino, quando o Ulysses é solto de sua doca para baixo d'água. Um Milo bidimensional foi colocado dentro, acompanhando o movimento de câmera, enquanto esta flutuava em direção da embarcação. A equipe comentou que foi complicado fazer com que os espectadores não percebessem a diferença entre os desenhos bidimensionais e tridimensionais quando eles estavam fundidos. A produção digital também deu aos diretores uma "câmera virtual" única para planos mais complicados. Esta câmera tinha a capacidade de operar no eixo z, movendo-se por uma armação digital; o fundo e detalhes foram depois adicionados manualmente sobre as armações. Isto foi usado na cena inicial pelo voo sobre Atlântida e na perseguição de submarino pela caverna submarina com o Leviatã atrás.[26]

BilheteriaEditar

Repórteres especularam antes do lançamento de Atlantis que ele teria uma competição difícil vinda de Shrek da DreamWorks SKG, um filme de animação totalmente em computação gráfica, e Lara Croft: Tomb Raider da Paramount Pictures, outro longa de ação-aventura. Wise comentou a mudança de mercado para longe da animação tradicional e a competição com filmes digitais: "Qualquer animador tradicional, incluindo eu, não consegue deixar de sentir uma pontada de dor. Eu acho que sempre se resume à história e personagens, e uma forma não vai substituir a outra. Assim como a fotografia não substituiu a pintura. Mas talvez eu esteja cego para isso".[28] Steve Daly e Jeff Jensen da Entertainment Weekly salientaram que filmes em computação gráfica como Shrek provavelmente atrairiam o demográfico adolescente que tipicamente não se interessava por animações, afirmando que Atlantis era uma "aposta criativa e comercial".[29]



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